quarta-feira, 6 de outubro de 2010
CONHECIMENTOS SOBRE A NAÇÃO NAGÔ
Certos Orixás Nagôs, oferecem banquetes anuais, uma comunhão primitiva, rudimentar, à gente da casa.
Os mais conhecidos desses repastos comunais, muito concorridos e apreciados pelos aderentes do Candomblé, são: o Pilão de Oxalá (moço) em que predomina o milho branco (ebô), e o olubajé de Omolu-Obaluaê, em que o elemento principal, é a pipoca. O Candomblé de Ogunjá (Procópio) encerra as suas festas com a feijoada de Ogum, outra comida coletiva.
O Caruru de Cosme e Damião, embora somente para crianças, se enquadra nesta categoria.
Os dias da semana são distribuídos, de acordo com a tradição Nagô, pelos vários Orixás, obtendo-se o seguinte quadro:
DIA DA SEMANA E ORIXÁS CORRESPONDENTES:
Segunda-feira - Exu e Omolu
Terça-feira - Nanã e Oxumarê
Quarta-feira - Xangô e Iansã
Quinta-feira - Oxóssi e Ogum
Sexta-feira - Oxalá
Sábado - Iemanjá e Oxum
Na tradição Nagô é esta a lógica da combinação dos Orixás. Na terça-feira temos a chuva e o arco-íris; na quarta, os raios e ventos - a tempestade; na quinta, a caça e as artes manuais; no sábado, a água do mar e a água doce. A sexta-feira é consagrada à Oxalá, por influência do catolicismo, mais exatamente do Culto do Senhor do Bonfim. Na segunda-feira, Exu garante a felicidade dos dias seguintes e Omolu garante a saúde e o bem-estar, purificando a semana.
O Domingo se dedica coletivamente à todos os Orixás.
Os candomblés Nagôs são comunidades fechadas, no sentido de que não obedecem a qualquer governo comum, nem à regras comuns.
A autoridade espiritual e moral, emana direta e exclusivamente do Pai ou da Mãe de Santo, que só reconhece, acima da sua própria autoridade, a dos Orixás. Esta autoridade absoluta em toda força do termo, o Chefe (Pai ou Mãe) a divide com as demais pessoas que lá freqüentam, em linhas muito nítidas de hierarquia, que beneficiam especialmente os velhos e as mulheres.
A Mãe (ou o Pai) escolhe, entre as filhas, suas auxiliares na administração - uma série de iás (futuras mães-pequenas), que se encarregam de certos serviços parciais, mas de importância.
Uma dessas auxiliares é a iá-morô, adjunta da Mãe, que a acompanha em todos os serviços religiosos; duas outras são a Dagã e a Sidagã, a primeira mais velha do que a segunda, encarregadas do Padê de Exu; outra ainda é a Iá Basse, que cozinha para os Orixás; e finalmente a Iá Tebexê, que tem a iniciativa dos cânticos nas festas e giras. É claro que, se essas auxiliares falharem nas usas obrigações, o ritual perderá com isto.
Quanto ao poder espiritual, tomemos por paradigma um ritual Nagô, que nos oferece o seguinte quadro:
MULHERES - Ialaxé
HOMENS - Pegi-gã
MULHERES - Mãe-pequena (Iá-quererê)
HOMENS - Axogum
MULHERES
HOMENS - Ogãs
MULHERES -
HOMENS - Alabê
MULHERES -
HOMENS - Tocadores de Atabaque
MULHERES -
HOMENS - Tocadores de Atabaque
MULHERES - Filha de Santo
HOMENS - Filho de Santo
MULHERES - Ebomim
HOMENS -
MULHERES - Iaô
HOMENS -
MULHERES -Equede
HOMENS -
MULHERES - Abiãs
HOMENS -
O Pegi-gâ (dono do altar) e a Ialaxê (zeladora do Axé) são personagens importantíssimas, mas sem funções reais, pessoais, dentro do ritual. Os seus títulos são uma distinção especial, mas os deveres resultantes dos seus cargos são delegados à filhas da sua imediata confiança. Teoricamente responsáveis, perante a Mãe, pelo altar e pelos Axés, o Pegi-gã e a Ialaxê dão idéias e sugerem modificações para mantê-los à altura das tradições da Casa.
Substituta imediata da Mãe, a mãe-pequena (Iá-quererê em nagô) lhe está imediatamente abaixo na escala da hierarquia, como administradora civil e religiosa do Ritual; é sempre a filha mais velha na feitura do santo, lugar-tenente da Mãe (ou do Pai), a mãe-pequena está em contato mais direto com os filhos, pois a Mãe apenas fiscaliza, aconselha e dirige o ritual, enquanto a mãe-pequena, executante, acompanha atentamente a marcha das cerimônias. Também a mãe-pequena é chamada de mãe pelos filhos que lhe tomam benção e lhe fazem a mesma reverência devida à Mãe (o Pai).
O Axogum, o sacrificador de animais (o Mão-de-faca), só eventualmente exerce as suas funções, quando necessário a matança, para cerimônias religiosas.
O Axogum e o Pegi-gã são escolhidos entre os Ogãs da casa, em geral os mais constantes no auxiliar do ritual, ou os mais dedicados aos Orixás.
Os Ogãs são protetores do ritual, com a função especial e exterior à religião de lhe emprestar prestígio e angariar recursos financeiros para as cerimônias sagradas. A maior parte das vezes o próprio Orixá escolhe o Ogã entregando-lhe as suas insígnias, no nosso caso, o Machado de Xangô.
Abaixo das filhas, há ainda a Equede, a qual fez voto de servidão à este ou aquele Orixá.
Em último lugar, ficam as Abiãs. Estas não pertencem ainda, realmente, ao ritual. Estão num estágio anterior a iniciação.
Este esquema de hierarquia revela, sem sombra de dúvida, que as mulheres detêm todas as funções permanentes do ritual, enquanto que os homens se reservam apenas nas temporárias e nas honorárias.
Deve-se sempre ressaltar a importância dos velhos - não exatamente das pessoas de idade, mas das que fizeram o seu santo há mais tempo ou há mais tempo aderiram ao Ritual.
oya alaxé Domingo no Pátio do Terço
O afoxé oya alaxé promove neste dia 10 de outubro, no Pátio de São Pedro ás 15h, o projeto ensaio aberto, onde o grupo estará realizando aulas grátis de percussão( abê,atabaque e agogô) e danças Africanas,Com duração de 30 minutos.
Uma boa oportunidade de aprender a tocar os instrumentos de percussão Afro e seguir no Ritmo das danças Africanas.
Outra boa oportunidade para se aprender o gingado elegante do Afoxé é a Oficina realizada no belo espaço do Ilê Obá Aganjú Okoloyá (situado em um sítio de paisagem bucólica e de clima agradável) para manter oficinas sistemáticas de percussão, dança e de fortalecimento de direitos humanos. As iniciativas servem para a difusão da cultura negra e fortalecimento da juventude local, formada em sua maioria por afro-descendentes.Esta oficina custa R$ 20,00 Reais é ministrada pela professora Elaine,
Data: todos os dias( somente pela parte da manhã)
Horário: 9h ao 12h
Local: Terreiro Afro-descendente Nagô Ilê Obá Aganjú Okoloyá (Terreiro de Mãe Amara)
Rua Mamede Coelho, 231, Dois Unidos - Recife/PE
Uma boa oportunidade de aprender a tocar os instrumentos de percussão Afro e seguir no Ritmo das danças Africanas.
Outra boa oportunidade para se aprender o gingado elegante do Afoxé é a Oficina realizada no belo espaço do Ilê Obá Aganjú Okoloyá (situado em um sítio de paisagem bucólica e de clima agradável) para manter oficinas sistemáticas de percussão, dança e de fortalecimento de direitos humanos. As iniciativas servem para a difusão da cultura negra e fortalecimento da juventude local, formada em sua maioria por afro-descendentes.Esta oficina custa R$ 20,00 Reais é ministrada pela professora Elaine,
Horário: 9h ao 12h
Local: Terreiro Afro-descendente Nagô Ilê Obá Aganjú Okoloyá (Terreiro de Mãe Amara)
Rua Mamede Coelho, 231, Dois Unidos - Recife/PE
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
ensaios abertos do Oya Alaxé no Pátio do Terço
Ensaios Abertos do Afoxé Oyá Alaxé e Convidados - do projeto Circulando Cultura do Empreendedor e Produtor Cultural do AFOXÉ OYÁ ALAXÉ , o ogã Fabio Gomes (Negão) do Cufa Pernanbuco. Será realizado agora dia 10 de outubro, no Pátio do terço, está programado para começar as 15h, não percam.
mais informações
mais informações:
Telefone: (81) 3221-7250
Endereço: Rua Mamede Coelho, 231, , Dois Unidos - RECIFE-PE
Site: http://cufa.org.br/pernambuco
lendas afro Brasileiras( livro de Reginaldo Pradi)
Descrição Rápida
Adetutu, uma jovem mãe africana, é aprisionada por caçadores de escravos e transportada ao Brasil em um navio negreiro. Durante a viagem, ela sonha com a criação do mundo pelos orixás, deuses de seu povo. Em seu sonho ela torce para Oxalá realizar sua missão com sucesso, ganha a cumplicidade de Exu, vibra com a atuação de Xangô, emociona-se com Iemanjá. Numa sacolinha de segredos que leva pendurada no pescoço, Adetutu guarda pequenas lembranças com que os orixás a presenteiam. Segredos que serão usados trinta anos depois, já no Brasil. Os contos e lendas mostrados em seus sonhos fazem parte do patrimônio mitológico iorubá que o Brasil herdou da África e que aqui se preservou ao longo de mais de um século, contado de boca em boca, transmitido de geração a geração. E que hoje é parte constitutiva da nossa cultura. No apêndice, Reginaldo Prandi, um especialista no tema, apresenta com grande rigor e fotos originais esse rico universo do candomblé....
Boa oportunidade para os agentes de produção Afro-Brasileira
Secretaria de Cultura realiza oficinas de atualização musical esta semana
A Fundação do Patrimônio Artístico e Histórico de Pernanbuco(FUNDARPE) com o apoio da Secretaria de Cultura e Lazer do Cabo de Santo Agostinho promove, nos dias 8 e 9 de outubro (sexta-feira e sábado), uma oficina de capacitação musical para os artistas locais e regionais. O evento acontecerá no Centro Cultural Mestre Dié, em Ponte dos Carvalhos.
Na ocasião, serão abordados os conteúdos: economia da cultura, identidade cultural e regionalismo e legislação específica, que será abordada por um dos monitores, o produtor cultural da Fundarpe, Osmar Barbalho.
Segundo o assessor musical da secretaria, Domingos Sávio, “as oficinas tem o objetivo de elaborar projetos para que os participantes possam desenvolver melhor suas atividades e conseguir financiamentos”, disse.
Esta oficina não se destina somente aos produtores culturais do município, mas aos das cidades como Ipojuca e São Lourenço da Mata. Dentro desse mesmo programa já aconteceram, nos dias 25 e 26 de setembro, capacitações para os músicos regentes da Banda Filarmônica XV de Novembro, na Escola Ariosto Nunes. As aulas foram ministradas pela equipe do Conservatório Pernambucano de Música.
Texto: Giorgio Bruno - Estagiário da Secom/Cabo de Santo Agostinho
A Fundação do Patrimônio Artístico e Histórico de Pernanbuco(FUNDARPE) com o apoio da Secretaria de Cultura e Lazer do Cabo de Santo Agostinho promove, nos dias 8 e 9 de outubro (sexta-feira e sábado), uma oficina de capacitação musical para os artistas locais e regionais. O evento acontecerá no Centro Cultural Mestre Dié, em Ponte dos Carvalhos.
Na ocasião, serão abordados os conteúdos: economia da cultura, identidade cultural e regionalismo e legislação específica, que será abordada por um dos monitores, o produtor cultural da Fundarpe, Osmar Barbalho.
Segundo o assessor musical da secretaria, Domingos Sávio, “as oficinas tem o objetivo de elaborar projetos para que os participantes possam desenvolver melhor suas atividades e conseguir financiamentos”, disse.
Esta oficina não se destina somente aos produtores culturais do município, mas aos das cidades como Ipojuca e São Lourenço da Mata. Dentro desse mesmo programa já aconteceram, nos dias 25 e 26 de setembro, capacitações para os músicos regentes da Banda Filarmônica XV de Novembro, na Escola Ariosto Nunes. As aulas foram ministradas pela equipe do Conservatório Pernambucano de Música.
Texto: Giorgio Bruno - Estagiário da Secom/Cabo de Santo Agostinho
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
OYA BAMILÁ
Maria Helena, os olhos e alma do Oya
alaxé.
essa qualidade de oya se dá com a junção de oxalá olufã.
alaxé.
essa qualidade de oya se dá com a junção de oxalá olufã.
O nome Iansã trata-se de um título que Oyá recebeu de Xangô que faz referência ao entardecer, Iansã=A mãe do céu rosado ou A mãe do entardecer. Era como ele a chamava, pois dizia que ela era radiante como o entardecer. Os africanos costumam saudá-la antes das tempestades pedindo a ela que apazigue Xangô o Deus das Tempestades pedindo a ele clemência, Xangô sentenciou: aquele que lembrar, Cultuar, suas esposas seria poupado de sua sentença, ou seja, isso se aplica a Obá e Oxum. Muitos costumam afirmar que Iansã seria uma contração de Mãe dos filhos, muito embora essa afirmação seja realizada por pessoas que não conhecem seu verdadeiro sentido. Em uma de suas lendas Iansã não podia ter filhos, e foi consultar o babalawo. Este lhe disse, então, que, se fizesse sacrifícios, ela os teria. Um dos motivos de não os ter ainda era porque ela não respeitava o seu tabu alimentar (eewó) que proibia comer carne de carneiro. O sacrifício seria de 18.000 mil búzios (o pagamento), muitos panos coloridos e carne de carneiro. Com a carne ele preparou um remédio para que ela o comesse; e nunca mais ela deveria comer desta carne. quanto aos panos, deveriam ser entregues como oferenda. Ela assim fez e, tempos depois, deu à luz nove filhos (número mítico de Oyá). Daí em diante ela também passou a ser conhecida pelo nome de `Iyá omo mésan', que quer dizer "a mãe de nove filhos'
Oya é sincretizada na Santeria cubana com imagens Católicas de Nossa Senhora da Candelária ou Nossa Senhora da Anunciação e Santa Theresa.
Oyá vem a ser a divindade dos ventos, e a mesma aprendeu com seu esposo Sangó a cuspir fogo pelo nariz e pela boca. Oyá foi quem vestiu egun, sendo assim os mesmos não poderiam ser destinguidos uns dos outros. Oyá vestia-se sob a pele de búfalo, afim de desencorajar seus inimigos. Antes de Oyá casar-se com Sangó, casou-se com Ogun e teve 09 (nove) filhos. Porém mulheres ciumentas pôr não terem filhos, descobriram que Oyá usava a pele de um búfalo e zombaram dela para ridicularizar, pôr isso numa noite, Oyá vestiu-se de búfalo e trucidou todas as mulheres. Oyá voltou para casa e deu um par de chifre de búfalo para seus filhos dizendo que quando eles precisassem dela era para baterem os chifres um no outro, que Oyá viria imediatamente socorre-los.
· Seu n.º: 11 ou 09 - Seu Odú: Ossá ou Owarin - Sua cor: Marron - Sua morada: Floresta e Bambuzal
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Babalorisá Biro de ayra/ mojubá! babá mi.
ÒRÌSÀ SANGÓ & AYRÁ
Sangó = Rei Ayrá = Ministro
Símbolo da verdade e da justiça, somente devemos recorrer a ele se estivermos certos de nossa inocência, pois se não o machado pode se virar contra nós. Dadá Ajaká , tornou-se Rei de Oyó, mais foi destronado pôr seu irmão Sangó. Sangó é um Orisá muito vaidoso, pôr isso usa jóias, grandes brincos e imensas correntes com talismã. Sangó era o único orisá que criava cavalos.
· Seu n.º 12 - Seu Odú: Egilaseborá - Sua cor: marrom e branco - Sua morada: Pedreiras altas
A corte do reiA importância de Xangô na constituição do candomblé, que é brasileiro, pode ser identificada também quando examinamos as estruturas hierárquicas e a organização dos papéis sacerdotais do candomblé em comparação com o ordenamento dos cargos da própria corte de Oió, a cidade de Xangô. Não há dúvida que as sacerdotisas e sacerdotes que fundaram os primeiros templos de orixá no Brasil tinham grande intimidade com as estruturas de poder que governavam a cidade do Alafim. O candomblé é, de fato, uma espécie de memória em miniatura da cidade africana que o negro perdeu ao ser arrancado de seu solo para ser escravizado no Brasil. Vejamos alguns dos cargos mais importantes da corte de Oió e sua correspondência com a hierarquia do candomblé de nação nagô. Basorun – primeiro ministro e presidente do conselho real, que tinha mais poder que o próprio rei, exercendo também a função de regente quando da morte do rei até a ascensão do sucessor. No candomblé é título dado a homem que ajuda na administração do terreiro, um dos membros do corpo de ministros em terreiros dedicados a Xangô. Alààpínní – chefe do culto de egungum. No Brasil, igualmente alto sacerdote do culto dos ancestrais. Balògún – chefe militar. No candomblé, cargo masculino de chefia da casa de Ogum. O falecido oluô Agenor Miranda Rocha, foi, por mais de 70 anos, o balogum da Casa Branca do Engenho Velho. Lágùnnòn – embaixador do rei que tinha como encargo o culto ao orixá Ocô, divindade da agricultura. No candomblé, espécie de ajudante do pai-de-santo na provisão do terreiro. Akinikú – chefe dos rituais fúnebres. No Brasil, oficial do axexê, que pode ser um babalorixá ou ialorixá ou algum ebômi ou ogã especializado nos ritos mortuários. Asípa – representante dos governadores das aldeias na corte de Oió e encarregado do culto ao orixá Ogum. No Brasil, dignidade masculina. Isugbin – corpo de tocadores e musicistas do palácio. No candomblé são chamados alabês, nome que na África era dado aos escarificadores, os que faziam os aberês, as marcas faciais identificadoras da origem. Ìlàrí – corpo de guardas da corte e de mulheres. Adoradores de Oxóssi e Ossaim, eram também uma espécie de mensageiros e provedores reais. No candomblé, sacerdotes que cuidam da casa de Ossaim. Èkejì òrìsà – literalmente, a segunda pessoa do orixá, cargo sacerdotal da corte do Alafim, sacerdotisa que não incorpora o orixá, mas que cuida de seus objetos sagrados. No candomblé, equede, todas mulher não-rodante confirmada para cuidar do orixá em transe e de seus pertences rituais. O cargo, elevado na África, deu às equedes posição de relevo também no candomblé, onde têem o grau de senioridade. Ìyá-nàsó – mãe do culto do Xangô do rei (divindade pessoal). No Brasil, nome de uma das fundadoras do candomblé e título feminino. Ìyáalémonlé – encarregada de cuidar do assentamento pessoal do rei. Entre nós, quem cuida do assentamento principal do pai-de-santo. Ìyá-lé-òrí – mãe dos ritos de oferecimento a cabeça do rei, mantém a representação material da cabeça do rei em sua casa. No candomblé preside o bori. Ìyá mondè ou bàbá – Mulher que cultua os espíritos dos reis mortos. Chamam-na também de Bàbá. O alafim dirige-se a ela como “pai”, pois elas detêm a autoridade do “pai”, como as dirigentes da umbanda brasileira, também chamadas de babá. Ìyá-le-agbò – prepara os banhos rituais do rei. No candomblé, mulher que cuida dos potes de amassi. Ìyá-kèré – chefe das mulheres ilaris; é ela quem coroa o rei no ato de sua entronização. A atribuição, mantida, é hoje no candomblé da competência de pais e mães-de-santo que colocam no trono o novo chefe do terreiro nas ocasiões de sucessão. Muitos outros títulos do candomblé foram tomados de outras cidades e instituições que não a corte de Oió, mas é inescondível a importância da cidade de Xangô na estruturação dos terreiros brasileiros de origem iorubá. De toda sorte, são variadas as adaptações, muitas vezes esvaziando-se o cargo de suas funções originais. Com o sentido de reforçar a idéia do terreiro de candomblé como sucedâneo da África distante, para legitimar suas estruturas de mando e valorizar sua origem, cargos de tradição africana são recuperados e adaptados com certa liberdade pelos dirigentes brasileiros. Assim surgiram os obás ou mogbás de Xangô, conselho de doze ministros do culto de Xangô, instituído inicialmente no terreiro Axé Opô Afonjá na década de 1930 por sua fundadora Mãe Aninha Obabií, assessorada pelo babalaô Martiniano Eliseu do Bonfim, e depois reinstalado nos mais diferentes terreiros que têm Xangô como patrono. Os obás brasileiros de Xangô têm funções diversas daquelas africanas, mas os nomes dos cargos são referência constante à vida político-administrativa dos iorubás antigos. Eles são divididos em ministros da direita, com direito a voto, e ministros da esquerda, sem direito a voto. Cada um deles conta com dois substitutos, o otum e o ossi. O conjunto dos obás da direita criados por mãe Aninha é constituído dos seguintes cargos: Abíódún (nome que designa aquele nascido no dia da festa); Àre (título que se dá a uma pessoa proeminente da corte); Àrólu (o eleito da cidade); Tèla (nome masculino da realeza de Oió); Odofun (cargo da sociedade Ogboni); Kakanfò (título do general do exército). Os da esquerda são: Onansòkun (pai oficial do obá de Oió); Aressá (título do obá de Aresá); Eleryin (título do obá de Erin); Oni Koyí (título do obá de Ikoyi); Olugbòn (título do obá de Igbon); e Sòrun (chefe do conselho do rei de Oió). Estes nomes designam hoje postos sacerdotais, dignidades religiosas; na África designavam cargos de homens poderosos que controlavam a sociedade ioruba e suas cidades. Um rei africano era, antes de mais nada, um guerreiro. Guerras, conquistas, povoamento de novas terras, escravidão, descoberta e renascimento, tudo isso faz parte da história de Xangô, rei e guerreiro, como faz parte das memórias de nossa própria civilização de brasileiros. Mas Xangô é mais que história da África e mais que história do Brasil. Seu duplo machado visa a justiça para cada um dos dois lados que se opõem na contenda, suas pedras-de-raio são o santuário guardião das esperanças de tanta gente que padece em conseqüência das mazelas de nossa sociedade: desemprego, falta de oportunidades, incompreensão e dificuldade no trabalho, escassez de meios de sobrevivência, perseguição e disputas insanas, inveja, complicações legais de toda sorte, e tantas outras coisas ruins. Apelar a Xangô, para o devoto, é buscar alento, realimentar esperanças, prover-se de forças para a difícil aventura da vida. Mas no terreiro em festa, sob o roncar frenético dos tambores, a dança de Xangô não é tão somente demonstração de energia e de força marcial, de cadência e de vitalidade, mas igualmente harmonia, graça e sensualidade. Xangô é duro, mas também se compraz com o bom da vida. O paladar de Xangô lembra as qualidades do bom glutão que não dispensa jamais o prazer da boa mesa, tanto que até nos faz pensar nele como um rei gordo e guloso. Tanto é assim que suas oferendas votivas devem ser sempre servidas em grande quantidade, pois Xangô aprecia que seus súditos comam muito e bem. Seu prato predileto é o amalá, comida feita à base de quiabo, camarão, pimentas de várias qualidades, e tantos outros condimentos que são verdadeiras iguarias, utilizados pelas filhas-de-santo que muito apreciam e disputam a preparação da comida para os deuses. A comida servida no terreiro serve também para “reunir gente”, e Xangô é o orixá que mais as acolhe, pois toda corte é repleta de súditos e não seria diferente no terreiro, onde há sempre muita gente, muita dança e muita comida. Além de orixá comilão, Xangô também é o grande amante e teve muitas mulheres como contam seus mitos. Um deles relata que Xangô era um rei poderoso, um dia apareceu em seu reino um grande animal que devorava a todos, homens, mulheres e crianças. Xangô, acompanhado de suas três mulheres resolveu enfrentar o animal monstruoso. Xangô amava suas esposas, mas amava também todos os homens e mulheres que o acercavam, e nada mais natural do que defendê-los de tal criatura. O ser monstruoso rugia e toda a terra tremia. Xangô não quis soldados para vencer o animal. Xangô lançou chamas de sua boca e derrubou o animal matando-o depois num só golpe com seu oxé. Vitorioso, Xangô cantou e dançou, estava feliz. Dali em diante foi ainda mais amado pelos homens e mulheres de seu povo e por todos aqueles que ouviram falar de seu feito. No Brasil, o aspecto erótico da representação de Xangô foi muito atenuado em comparação a Cuba, onde seus gestos de dança insinuam relações sexuais e seus objetos de forma fálica enfatizam seu gosto pelo sexo. Mas mesmo entre nós é o orixá de muitas esposas. Tantas mulheres e tantas paixões carnais não reforçam e são a confirmação de que a vida pode ser plena das doçuras e gozos do amor? O que queremos dizer é que Xangô não nos remete tão somente aos aspectos sérios, circunspectos e duros dos compromissos do dia-a-dia, mas nos faz lembrar, sim, o tempo todo, que a vida é muito boa para ser vivida, e por isso mesmo temos que lutar por ela sem descanso. É por essa razão que o fiel sempre pede passagem para o rei, gritando para o povo reunido em festa: “Deixai passar, deixar passar Sua Majestade”, “Kaô, kaô Kabiessi
AYRA E SEUS AVATARES
AYRÀ era um Òrìsà no fundamento de SÀNGÓ, era um de seus servos de confiança.
AYRÀ era um Òrìsà no fundamento de SÀNGÓ, era um de seus servos de confiança.
OSÀLÚFÓN deu-lhe o título de seu primeiro ministro, fazendo dêle seu mais fiél amigo, motivo pelo qual AYRÀ come diferente dos SÀNGÓ; foi-lhe consedido comer em sua gamela o arroz, a canjica e o mingau de acaçá, sendo-lhe proibido o dendê e o sal.
Por motivo de rivalidade com SÀNGÓ, não se deve coloca-los juntos na mesma casa nem em cima de pilão. Sua gamela é oval e seus ornamentos prateados.
Seu assentamento é na gamela oval e não leva pilão. A fogueira lhe pertence e é acesa pelo lado esquerdo. Dentro da fogueira coloca-se :
- Um tacho de cobre com 12 quiabos;
- Uma pedra, representando o ODUN ARÀ;
- Frutas.
QUALIDADES
- ANTILE
Veste branco e é ligado a YEMONJA SOBÀ e ÒSUN KARÉ. Foi êle quem carregou OSÀLÚFÓN nos ombros e tentou coloca-lo contra SÀNGÓ , dizendo que êle teria passado os sete anos na prisão por culpa de seu filho, SÀNGÓ. Por isto existe uma KIZILA entre AYRÀ e SÀNGÓ , não podendo AYRÀ ser posto em cima do pilão , pois provoca a ira de OSÀLÚFÓN. Come com ÈSÙ.
- OSUIBURU
Veste o preto e caminha nas trevas com ÈSÙ e ÉGÚN, não se raspa.
- AYRÀ AYRÀ
Come com ÒÒSÀÀLÀ e veste branco. Caminha junto com ÒGÚN JÀ, se não assenta-lo AYRÀ não caminha e a pessoa para no tempo.
- AYRÀ OCÌ
Idêntico ao AYRÀ AYRÀ, só que é calmo.
AYRÀ IBONA
É o pai do fogo. Veste branco.
- AYRÀ OMONIGI
É um AYRÀ muito quente e filho do fogo. Se provocado solta fogo pela boca. Come com ÒSUN.
- ALAMODÉ
É um AYRÀ menino. Come com YEMONJA e OSOGUIAN. ÒGÚN JÀ fica a seus pés.
- AJOSSIN
É o dono do camelo. Não tem medo da morte como SÀNGÓ de dendê. Veste branco.
- EPOMIN
Foi êle quem brigou e destronou OMOLÚ.
- ADJAOSSI
O verdadeiro esposo de OBÁ. Brigou com ÒGÚN JÀ. Veste branco. ÒGÚN JÀ fica em outro quarto.
- YIGBOMIN ou BOMIN
É bom, conselheiro, dono da verdade, reina nas águas junto com ÒSUN. Não faz nada sem perguntar a ÒÒSÀÀLÀ.
- ETINJÀ
Depende de ÒGÚN JÀ para caminhar, é guerreiro e cruel, não recusa uma batalha. Veste branco.
- YBONA
É o AYRÀ da quentura.
- DUNDUN
Identico ao OXUIBURU.
SUAS FOLHAS
- As mesmas de SÀNGÓ.
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